sábado, 16 de maio de 2009

Ousadia


Amanhece o dia, mas há nuvens no céu;

O astro rei não pode dar sinal,

e as horas seguem um curso natural.


Se olhares as nuvens, certamente,

o desânimo vem,

se olhares dificuldades, que a vida tem,

certamente, será ninguém...


Mas, se tiveres coragem,

verás, sem receio, o negro dia,

entendendo, que em algum momento,

aparecerão raios, que chegarão com a ousadia.


É assim, nuvens existem

Mas não ficam para sempre, passam;


Não há escuridão permanente,

o sol volta sempre a brilhar,

e ser intrépido, é simplesmente, ousar...


Cleonice

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Abolicionismo já

Que tempo é este?
O que somos?
O que almejamos?
Vivemos acorrentados,
as senzalas mudaram, mas , não deixaram de existir.
Os senhores de engenho , estão presentes.Só o engenho acabou.
Talvez nem o engenho!
Estamos presos.
Uma prisão nascida do capitalismo que escraviza...
Não foi preciso nos buscar na África, somos fruto,
fruto da lei do ventre livre.
E qual é a nossa liberdade?
De ter uma educação que jamais foi prioridade de nenhum governo;
de não ter onde morar;
liberdade de pagar a taxa de limpeza pública e ter ruas sujas;
de pagar taxa de iluminação pública e ter ruas escuras;
De sair às 6:00, de retornar as 23:00,
de pagar pra ver, de pagar pra viver... pra viver
Mas , direito é direito...
e um dia vai ter jeito;
Jeito de curtir , a conquista da lei do sexagenário
a tão sonhada aposentadoria,
que chega , no fim dos nossos dias...
Quando não há mais, nenhum vigor.

A república aprendeu com o império,
criar leis pra inglês ver...
Leis que punem , no lugar de dar garantias
que tiram a paz dos nossos dias.
Somos um povo escravizado pelas drogas, pela violência,
pelo desemprego, pela opressão,
pela desilusão...

Que surjam abolicionistas já
inconformados com essa escravidão,
que sonhem, que lutem e que busquem
uma abolição ;
Que não sejamos ingênuos,
esperando uma promulgação que concretize nossos sonhos
escrita e assinada por uma caneta de ouro, para se chamar LEI AUREA ;
mas que aprendamos a quebrar todas as cadeias que nos prendem e
todas as grades que nos cercam...

Homenagem a todos que lutam contra todo tipo de escravidão.

Cleonice Rodolfo
Pós Graduada em História do Brasil (UNEC)
Professora de História - E.E.Hermínia Ribeiro de Souza

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Minas Gerais e Espírito Santo - as razões de um contestado


Epígrafe

O homem, filho do tempo, reparte com o mesmo tempo ou o seu saber ou a sua ignorância; do presente sabe pouco, do passado menos e do futuro nada.

Antôno Vieira (1608 -1697)

Conheça um pouco dessa história!

Início do século XX , a região de Lajinha , bem como de municípios vizinhos tornam-se o motivo de contestação. É necessário compreender a causa que conduz o Estado do Espírito Santo e Minas gerais a se rebelarem, obviamente, pela interpretação que cada qual fez a seu favor quanto a demarcação entre as duas capitanias, querendo para si maior parte territorial, ficando o Rio José Pedro divisor desta polêmica.
A situação de conflito entre Minas Gerais e Espírito Santo na região, parece acompanhar a história de Santa Catarina e Paraná, não pelos mesmos motivos, mas impulsionados pela febre do contestado ocorrido no mesmo período. Com isso verificamos que a história de um país é semelhante a uma colcha de retalhos, um pedacinho aqui, uma cor ali, um babado acolá, para então a peça se formar.
Embora não tenha grande repercussão não deixa de ser grande a importância no que diz respeito a memória de um povo; como toda insurreição, esta, indiscutivelmente, traz as perdas e os ganhos e quase sempre gerados em torno da luta pela terra, gerando preocupação por parte dos Presidentes dos Estados em questão:

...Desse modo tenho esperança de que poderemos reciprocamente poupar os infelizes habitantes dessa região a vida attribulada que passam pelas perseguições e violências que constantemente soffrem, podendo então cuidar da liquidação dessa velha questão. Sem que a demorada solução traga inconvenientes aos nossos compatrícios alli residentes.
1
(BISSOLI; SILVA, 2001,p.30)
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1. Trecho da carta do Presidente do Estado do ES enviada ao Presidente do Estado de MG, em 09 de junho de 1911

Por entre as imensas montanhas e bruscas pedras, as forças mineiras no comando de João do Calhau, que atua como o salvador da pátria, garantindo com ousadia na região limítrofe, territórios almejados, na tentativa de juntar a Minas um pedaço do Oceano Atlântico. Sua intenção, conforme relatos a seu comandante, era chegar até ao "lagoão". ( Santos,2000,p.13).
Os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo alimentaram por um período alongado a questão contenciosa, com isso, surgiu a proliferação do banditismo, bem como, refúgio nessa área, de homicidas e ladrões de todos os tipos, onde a lei coronelista imperava.
Entre anos de 1890 e 1915 que mais se intensificaram as divergências na tentativa de resolver a questão sobre o território contestado, onde as duas unidades buscavam imensamente ter a razão e ser maior na federação.
Dado a tais fatos torna-se de relevância, o conhecimento baseado na veracidade. Conhecer a história regional é empenhar-se em conhecer a história de um país. compreender os conflitos, entender suas causas e consequências, simbolizam a busca de elementos que juntos nos servem para a reconstituição do passado.
Cleonice de Carvalho Rodolfo
Pós Graduada em História do Brasil pela UNEC