Abolicionismo jáQue tempo é este?
O que somos?
O que almejamos?
Vivemos acorrentados,
as senzalas mudaram, mas , não deixaram de existir.
Os senhores de engenho , estão presentes.Só o engenho acabou.
Talvez nem o engenho!
Estamos presos.
Uma prisão nascida do capitalismo que escraviza...
Não foi preciso nos buscar na África, somos fruto,
fruto da lei do ventre livre.
E qual é a nossa liberdade?
De ter uma educação que jamais foi prioridade de nenhum governo;
de não ter onde morar;
liberdade de pagar a taxa de limpeza pública e ter ruas sujas;
de pagar taxa de iluminação pública e ter ruas escuras;
De sair às 6:00, de retornar as 23:00,
de pagar pra ver, de pagar pra viver... pra viver
Mas , direito é direito...
e um dia vai ter jeito;
Jeito de curtir , a conquista da lei do sexagenário
a tão sonhada aposentadoria,
que chega , no fim dos nossos dias...
Quando não há mais, nenhum vigor.
A república aprendeu com o império,
criar leis pra inglês ver...
Leis que punem , no lugar de dar garantias
que tiram a paz dos nossos dias.
Somos um povo escravizado pelas drogas, pela violência,
pelo desemprego, pela opressão,
pela desilusão...
Que surjam abolicionistas já
inconformados com essa escravidão,
que sonhem, que lutem e que busquem
uma abolição ;
Que não sejamos ingênuos,
esperando uma promulgação que concretize nossos sonhos
escrita e assinada por uma caneta de ouro, para se chamar LEI AUREA ;
mas que aprendamos a quebrar todas as cadeias que nos prendem e
todas as grades que nos cercam...
Homenagem a todos que lutam contra todo tipo de escravidão.
Cleonice Rodolfo
Pós Graduada em História do Brasil (UNEC)
Professora de História - E.E.Hermínia Ribeiro de Souza