sábado, 1 de abril de 2017

O maquinista

Uma viagem inicia
Não tem  hora e não tem dia
obrigação a cumprir!
Não importa se é inverno
se verão,outono ou primavera,
se há sol ou  tempestade
apenas tem que partir!


E lá nas várzeas e nas curvas

perdido por sobre os trilhos,
talvez distante do amor,
talvez distante dos filhos,
Numa atenção desdobrada
ouve as batidas do coração,
junta o peso da carga,
Com o peso da solidão!


Quando atravessa a cidade

no vazio da madrugada
há algúem na janela
esperando ali, debruçada!
Pensando no vai e vem
repleta de nostalgia,
Pensa na vida do maquinista 
e na ida e vinda de um trem!


Tantas perguntas que surgem

a pensar nessas viagens!
e no silêncio profundo,
traz a mente tantas imagens;
Num sussurro quase louco
começa a interrogar,
Será que tal maquinista
tem casa, mulher ou filhos?
Será que deixou alguém 
e com saudade está?
Será que está sofrendo,
alguma coisa temendo
 e tem vontade chorar?


Assim os dias se passam

e sempre a mesma rotina
de um maquinista tão só
que leva tantos vagões,
seguindo uma mesma linha
até na vasta neblina!
que leva consigo sonhos,
ou talvez desilusão,
Que leva tanta lembrança
no arquivo do coração!


E alguém que assiste tais cenas

tão só ali também fica,
olha com tanta ternura
com pesar, com desventura
o destino do maquinista!
Pois olha de tal maneira
com os olhos do coração
Talvez chore ali sozinha
tomada de emoção,
que numa viagem de trem
uma saudade ali tem,
E o condutor é um artista!